Dados Históricos |
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| Monografias realizadas pelos alunos
no âmbito do projecto "Jovens Repórteres
para o Ambiente": |
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CANEÇAS: uma história de água
com passado,
presente e futuro |
| A Ribeira de Caneças é
uma das mais conhecidas ribeiras de Portugal.
A sua história é bastante
interessante, a ela estando ligadas as
Lavadeiras de Caneças, os Aguadeiros
e o curso de água do Aqueduto das
Águas Livres.
O Aqueduto das Águas Livres aprovisionou Lisboa
de água potável, tendo origem
nas águas límpidas da Ribeira
de Caneças. Na altura em que o
Aqueduto das Águas Livres foi construído,
a população nunca tinha
pensado que algum dia a água fornecida
a Lisboa deixaria de vir do Aqueduto das
Águas Livres e que este se tornaria
num local de turismo.
A Ribeira de Caneças abastece com água
de qualidade, através de fontes,
a população local: a Fonte
das Fontaínhas e a Fonte Santa
são dois exemplos entre muitos
outros, ainda que as suas águas
estejam a ser testadas porque a sua qualidade
é duvidosa. Podemos referir, ainda,
a beleza das paisagens que nos são
oferecidas, como é o caso do Olho
do Cuco. |
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| A Freguesia de Caneças
foi criada pela Lei N.º 413 de 10
de Setembro de 1915, tendo sido desanexada
da Freguesia de Santa Maria de Loures
e elevada à categoria de Vila em
16 de Agosto de 1991.
A povoação é, provavelmente, anterior
a 1274/1325 (datas do reinado de D. Dinis),
pois o topónimo parece provir da
palavra árabe “caniça“
ou “alcaniça“ (templo
de cristãos). Reza a história
que, de facto, o nome da vila deriva da
palavra “caneca“. Diz-se que
El-Rei D. Dinis terá passado por
ali e que, tendo pedido água para
beber, alguém se dirigiu a uma
fonte enchendo uma caneca para dar ao
monarca. Por essa razão, teria
decidido que a povoação
se passasse a chamar Caneca, denominação
que foi evoluindo até se transformar
em Caneças.
Caneças é feita de histórias de
ruas, fontes, aguadeiros e lavadeiras.
Não podemos dissociar esta povoação
do abastecimento de água a Lisboa,
quer para o consumo, quer para outros
bens necessários, como nos mostra
o filme “Aldeia da Roupa Branca”,
com argumento e realização
de Eduardo Chianca de Garcia, uma longa-metragem
portuguesa, estreada em 1939. Sendo uma
comédia de costumes populares,
cujo final colhe de surpresa o espectador,
é uma obra que consagra o realizador
e também o cinema nacional. Nela
se destaca a interpretação
de Santos Carvalho, Beatriz Costa, Octávio
de Matos, Maria Salomé e Jorge
Gentil. A música é de Raul
Portela, Jaime Silva e Raul Ferrão.
O filme retrata perfeitamente a vida das
Lavadeiras de Caneças e nele está
bem patente o amor que esta gente tinha
à sua água: |
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| Água
fria da ribeira
Água fria
que o sol aqueceu
Ver a aldeia traz
à ideia,
Roupa branca que
a gente estendeu.
Ai, rio não
te queixes,
Ai, o sabão
não mata,
Ai, até
lava os peixes,
Ai, põe-nos
cor de prata.
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Cena do filme “Aldeia da Roupa Branca” |
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| Desde sempre que a população
de Lisboa sentiu dificuldades no abastecimento
de água.
Tudo indica que se tenham procurado captações
fora da cidade e que a água tenha
sido canalizada através de um aqueduto.
Esta hipótese é credível,
já que existem na zona de Carenque,
entre Belas e Caneças, restos de
um dique que terá pertencido a
uma barragem romana. Os inúmeros
sismos que assolaram a região poderão
ter destruído as grandes canalizações
feitas pelos Romanos ou mesmo pelos Árabes,
também estes, notáveis construtores
de obras hidráulicas.
Na Idade Média, as carências no abastecimento
de água a Lisboa são gravíssimas,
sobretudo no Séc. XV, principalmente
nas épocas festivas e estivais,
quando era extremamente difícil
à população lisboeta,
sobretudo ao povo, conseguir a água
necessária para a sua alimentação.
As naus e as caravelas que chegavam e
partiam de Lisboa dificilmente conseguiam
aguada para as suas grandes viagens.
A questão da água de Caneças tem
uma longa história de anos de intenso
trabalho. Para a contarmos toda, temos
de começar aí por volta
de 1910, antes da Primeira Guerra. Naquela
altura já se vendia água
em Caneças. Como, então,
a aldeia não tinha estradas, só
caminhos para animais, a água ia
para Lisboa de burro, levada pelos Aguadeiros.
De início, a água de Caneças
era tirada da Fonte das Fontaínhas,
situada em frente ao Tanque das Lavadeiras.
O auge da sua produção situa-se
entre 1928 e finais dos anos 30.
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| Como nessa altura havia muita
gente a ir buscar água às
Fontaínhas, que era uma fonte da
Câmara, foi preciso ir à procura
de outras nascentes, aproveitando-se assim,
outros veios de água. Em 1928 foi
feito um furo artesiano que abastecia tanto
as pessoas da Freguesia como os clientes
de Lisboa da água necessária.
O problema foi que o furo captou uma água
muito ferruginosa, o que lhe dava um sabor
desagradável e, por isso, teve de
ser abandonado. |
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Fonte das
Fontainhas |
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| Como os clientes se começavam
a queixar, dizendo que a água já
não era a mesma a que estavam habituados,
foi-se, então, à procura
de novas nascentes de água boa
que se sabia existirem na área.
Isto aconteceu em 1930, quando o Sr. António
Paisana, o último aguadeiro de
Caneças, construiu a Fonte de Castelo
de Vide e o Sr. António Mateus
edificou a Fonte das Piçarras;
outros seis aguadeiros juntaram-se e fundaram
a Fonte dos Castanheiros.
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Fonte dos
Castanheiros |
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| Até meados do Séc.
XIX, Lisboa era uma cidade suja, afectada
por numerosas epidemias.
Os cidadãos ricos pagavam aos Aguadeiros, entre
os quais os de Caneças, para lhes
levarem água a casa. |
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Fonte de
Castelo-de-Vide |
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| No entanto, é D. João
V que, através da cobrança
de impostos sobre os produtos que entravam
na cidade, decreta, em 1731, o início
da construção do Aqueduto
das Água Livres, com origem na
Fonte das Águas Livres, perto de
Carenque, indo desaguar no depósito
das Amoreiras, cuja Mãe d’Água
foi acabada em 1834.
A Mãe d’Água nas Amoreiras, além
de ser um bonito espaço, é
um depósito com capacidade para
5.500.000 litros. A partir das Mães
d’Água, a água seguia
através de túneis subterrâneos,
que a levavam até às numerosas
fontes de Lisboa.
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| Não se sabe a data concreta
da construção dos aquedutos
de Caneças, mas situa-se por volta
da segunda metade do Séc. XVIII.
Estes são quatro: o do Olival do
Santíssimo, o do Poço da
Bomba, o do Vale da Moura e o do Carvalheiro.
O aqueduto secundário, o maior
dos quatro, é o do Olival do Santíssimo,
partindo da Quinta do Macário,
perto da Quinta de Castelo de Vide, terminando
em Belas/Sintra. Os outros três
começam em Caneças, ligando-se
ao primeiro. Apenas o Aqueduto do Carvalheiro
termina no do Olival do Santíssimo,
já no Concelho de Sintra.
Hoje em dia, este monumento está sob a alçada
da EPAL, a empresa que abastece Lisboa
de água, aguardando-se a sua classificação
como monumento nacional.
A fim de aumentar o caudal do aqueduto, foram introduzidas
águas das zonas por onde este passava.
A primeira nascente encontra-se a norte
do Pinhal de Tróia, na estrada
que liga Caneças ao lugar de Camarões.
As galerias, que conduziam as águas das diversas
fontes de onde emergiam, iam desaguar
no Aqueduto, reunindo-se em câmaras
de forma circular ou poligonal regular,
chamadas Mães d’Água,
exemplares que ainda hoje existem, como
é o caso da Mãe d’Água
Nova e o da Mãe d’Água
Velha, sendo junto desta que se situa
a barragem romana. O comprimento das galerias
é de 58,135 Km, incluindo as ramificações
dentro de Lisboa. |
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| O Aqueduto das Águas Livres
nunca foi totalmente eficaz porque fornecia
água impura e em pequena quantidade
e, neste momento, não é
mais do que um monumento histórico
que resistiu ao Terramoto de 1755.
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| Mas não é só
pelo facto de ter contribuído para
aumentar o caudal do Aqueduto que a Ribeira
de Caneças é conhecida.
É-o, também, pelas suas
águas que fizeram da região
um centro de tratamentos termais, pelos
seus aguadeiros e lavadeiras, para além
dos produtos hortícolas e frutícolas
que nasciam nas suas margens.
Ao contrário do que acontecia com a população
de Lisboa, a de Caneças não
tinha quaisquer problemas com o abastecimento
de água, graças às
suas nascentes, ribeiras e poços. |
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Entrega de
roupa em carroça numa estalagem
do Largo do Rato |
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| Devido à sua composição, “cloretada,
sulfatada e calcária”, esta
água era favorável ao tratamento
de doenças do estômago e
dos intestinos. Para além disso,
as águas eram límpidas,
incolores, inodoras, de sabor férreo
e de temperatura inferior à do
meio ambiente. Eram recomendadas como
tónicos e reconstituintes no tratamento
de anemias, cloroses e convalescenças.
Todas estas qualidades levam ao aparecimento do comércio
dos Aguadeiros, comércio este intimamente
ligado à abertura de fontes, das
quais falaremos em pormenor mais adiante.
As bilhas de água e as trouxas das Lavadeiras
eram transportadas, a princípio,
em carroças de 2 rodas ou em galeras
de 4 rodas. |
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| Nos anos 30 do Séc. XX, as carroças e as galeras
foram substituídas pelas camionetas,
o que encareceu o custo do produto final
ao consumidor e, daí em diante, o
número de Aguadeiros diminuiu bastante. |
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| As inúmeras quintas junto
às quais havia fontes transformaram-se
em locais de veraneio e estâncias
de tratamento |
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| Mê ofício é lavadeira
Mê amor é aguadeiro
Ele vai vender a água
Eu vou entregar a roupa
Para trazer o dinheiro
Cesário Verde, em carta datada de 16 de Julho de 1879,
dirigida a Mariano de Pina, refere-se
a Caneças, dizendo: “Em Caneças,
as lavadeiras acompanham o bater da roupa
com um ai enorme, medonho, aflitivo”.
A qualidade da água da Ribeira de Caneças
está também ligada à
actividade das Lavadeiras, que dividiam
as tarefas domésticas com a lavagem
da roupa que era, semanalmente, recolhida
e entregue na casa das freguesas, sobretudo
de Lisboa. É que as casas da cidade
não tinham condições
nem para fazer a barrela, nem para pôr
a roupa a corar. |
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Lavadeira saloia |
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| Para não confundirem
nem as freguesas nem as roupas de cada
uma, as Lavadeiras tinham o seu rol, onde
eram registadas as peças de roupa:
“Três corpetes,
um avental
Sete fronhas e um lençol
Seis camisas do enxoval
Qu’a freguesa deu
ao rol,”
cantava Beatriz Costa no filme de Chianca de Garcia,
“Aldeia da Roupa Branca”. |
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| À segunda-feira, às
5 da manhã, saíam de casa
na carroça puxada por machos. A
roupa era metida em trouxas, o “albardar”,
ou seja, era embrulhada num pano, o “riscado”,
tecido de riscas de cor diferente, tendo
cada freguesa o seu riscado. Se a roupa
era transportada por machos, tinha de
ser colocada nos “seirões”
(cestos de esparto ou vimes em
forma de alforges), que eram içados
para o dorso dos animais.
Durante o resto da semana, excepto ao Domingo que era
o dia guardado para ir à missa
e descansar, as Lavadeiras lavavam a roupa
na ribeira para onde levavam pedras de
cor cinzenta, pedras “olho de sapo”,
que serviam para esfregar a roupa.
Uma vez que “roupa que não é cantada
não é lavada”, acompanhavam
a sua tarefa cantando canções
de amor ou modinhas.
“Ai bate, bate,
Bate a preceito!
Ai bate, bate
Ai bate, bate.
Esfrega co’a mão
Batida a eito
A roupa de feição”
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| Depois de lavada e separada,
consoante era molhada, “cargos”
(embrulhada num lençol) ou seca,
“carrego” (roupa solta), era
levada ao local de estender, onde secava
sobre pedras, ervas, arbustos ou estendais,
corando ao sol e era frequentemente borrifada
até ficar bem branca. Ia outra
vez a lavar sendo, finalmente, posta a
secar. Depois de seca, era levada para
um alpendre, onde era dobrada e embrulhada
no respectivo riscado. Assim estavam feitas
as trouxas que eram, por sua vez, embrulhadas
em sarapilheira para que se não
sujassem. Havia as trouxas pequenas e
as trouxas grandes, ou trouxas de carroça,
que eram revistadas à entrada de
Lisboa por um guarda-fiscal, a fim de
se evitar o contrabando.
Mais tarde, as Lavadeiras deixaram
de lavar na ribeira e passaram a fazê-lo
em tanques, os “lavadouros”.
Porém, esta actividade, que passava
de mães para filhas, conheceu um
declínio progressivo, sobretudo
nos anos 60, com o aparecimento das máquinas
de lavar roupa. Os lavadouros deixaram
de ser, apenas, para utilização
exclusiva das Lavadeiras e passaram a
sê-lo para uso de toda a população
local e, devido ao desenvolvimento urbanístico,
grande parte deles desapareceu.
As antigas Lavadeiras, que ainda
são vivas, recordam aquela época
com tristeza. Dizem que as “moças”
de hoje só servem para passear
os livros e gozarem com quem trabalhou.
Pedem que as não deixem ir para
asilos que consideram como verdadeiros
cemitérios.
Na ausência de um ofício
que o progresso das máquinas de
lavar e a poluição acabaram
por destruir, continuam a lutar para que
nem elas nem o passado de Caneças
morram.
Um filme de que nunca se esquecem
é “Aldeia da Roupa Branca”.
Ao evocar este filme, a protagonista,
Beatriz Costa, afirmou que foi o melhor
filme português de sempre. As cenas
da lavagem e secagem das roupas foram
filmadas em Caneças. O resto do
filme foi todo feito em estúdio,
com cenários do grande pintor Bernardo
Marques. |
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| AGUADEIROS
As bilhas em que os aguadeiros levavam a água eram de
barro, tendo uma forma típica:
a base era comprida e delgada, de maneira
a ser introduzida nos buracos dos estrados
de madeira fabricados para esse fim, evitando-se
assim que as bilhas se partissem ao serem
transportadas em carroças até
Lisboa.
Quem lavava e enchia as bilhas
eram as “enchedeiras das águas”,
figuras graciosas e laboriosas de mulher,
a quem cabia também a tarefa de
selar as bilhas com papéis colantes. |
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| A princípio, as bilhas tinham uma rolha de trapo, que
foi mais tarde substituída por
uma de cortiça, passando então
a ser seladas, sendo pago o tributo, de
acordo com os selos, à Junta de
Freguesia. Alguns Aguadeiros possuíam
selo próprio, que punham nas suas
bilhas, selo que não só
os identificava como também certificava
a origem da água. As bilhas seladas
e o verbete de captação
garantiam a sua qualidade.
A distribuição diária da água
pelos bairros da capital era comercializada
pelos fornecedores, estando cada área
de distribuição previamente
definida entre os distribuidores, passando
esta concessão de pais para filhos.
E assim lá ia o Aguadeiro, de bilha ao ombro,
distribuindo a água fresquinha
de Caneças pelas ruas de Lisboa.
Mas a concorrência de outras águas foi
o primeiro passo para a decadência
de tão próspero comércio.
O aparecimento da garrafa de vidro e o
advento dos novos processos de exploração
e de engarrafamento fizeram o resto, até
porque a exploração artesanal
que se praticava em Caneças não
conseguiu adaptar-se às inovações,
além de terem começado a
ser postas em causa tanto a qualidade
da água, como as condições
de higiene das bilhas. |
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| Muito numerosos até finais do Séc. XIX, quando
em Lisboa não havia ainda distribuição
de água ao domicílio, os
Aguadeiros exerceram um importante serviço
social quer no abastecimento de água
às populações, quer
no combate a incêndios.
Geralmente recrutados entre a numerosa colónia
galega, eram figuras habituais do dia-a-dia
da cidade, percorrendo-a de lés
a lés ou descansando à beira
dos chafarizes, à espera de vez
para encherem os barris, que transportavam
às costas. Para exercerem o seu
mister, inscreviam-se na Câmara,
que lhes concedia o direito ao uso de
uma insígnia municipal. “
A ...ú ú “era o pregão
com que se faziam anunciar. Os Aguadeiros
de Lisboa, que estavam organizados em
corporações, tinham a sua
actividade regulamentada.
Os chafarizes da capital eram distribuídos pelas
várias corporações,
nos quais só podiam utilizar as
bicas que lhes eram destinadas. Em muitos
chafarizes estavam assinaladas as bicas
que eram do Povo e as que eram dos Aguadeiros.
O serviço de combate aos incêndios era
constituído pelas corporações
de Aguadeiros, que tinham, obrigatoriamente,
de acudir aos fogos que ocorressem na
área da sua corporação.
Organizavam o combate ao incêndio,
puxavam as carretas e acarretavam a água,
sendo severamente punidos quando não
cumpriam com estes deveres.
O Aguadeiro era uma figura simpática, indispensável
à estrutura social e económica
da Lisboa de então.
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| A ÁGUA NÃO
É UM BEM INESGOTÁVEL
Desde há anos que a água deixou de ser
considerada um produto inesgotável
na natureza. Apesar da sua reciclagem
natural, a água tem sido cada vez
mais utilizada e consumida, devido ao
crescimento vertiginoso da população
e ao seu uso, cada vez em maior escala,
no desenvolvimento e no progresso social.
Por outro lado, a crescente poluição
dos resíduos industriais e atómicos
colocam o sério problema ecológico
da preservação e da administração
dos recursos hídricos a nível
mundial. |
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Escola
Secundária de Caneças- esc.sec.canecas@mail.telepac.ptt
2005/2006
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